sexta-feira, 26 de abril de 2019

Após 8 anos de silêncio...

Caramba... Após 8 anos reencontro esse blog ainda vivo...
É justo dizer que agonizava num canto eletrônico, quietinho à espera do "delete final".
Mas, eis que um passeio pelo meu passado digital me faz esbarrar em suas curiosas palavras,
e me vejo, mais uma vez, redigindo o NOITÁRIO DE KAIOKE.

Então, em meio a mais uma noite de pensamentos turvos,
emerge um pensamento digno da ressurreição deste "Noitário".

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Ansiosas e emolduradas SELFIES


Uma coisa é certa e sei que haverá pouca gente (quiçá, nenhuma gente) a discordar de mim.
Esse momento da história humana será marcado pela profusão incalculável de fotografias que explodem aos nossos olhos em telas multicoloridas.
E interessantemente, a culpa por essa geração volumosa de imagens fotográficas, não é exatamente a câmera fotográfica em essência, mas sim, um híbrido tecnológico, que como uma singularidade, arrastou para si o poder de executar funções, antes atribuídas a aparatos tecnológicos “monofunção”. E essa sagacidade de atrair para si a ‘habilidade’ de outros aparatos, de modo coerente, o tornou esperto. O que antes era telefone, se internacionalizou em um abrasileirado smartfone, literalmente, esperto demais para um simples telefone.
E entre todas as funções que “surrupiou” de outros aparelhos, conquistou o não mais exclusivo poder mágico das câmeras fotográficas. E em poucos anos, conseguiu ainda restaurar a maldição lançada por Nêmesis, trazendo de volta à vida, não apenas um, mas, multiplicado em milhares, encantados com a própria beleza, uma infestação de Narcisos, que definham sem conseguir se separar de suas próprias imagens, desprezando a vida em nome do amor que desenvolveram por si próprios.
Não creio que, ao definhar, os atuais Narcisos consigam reerguer-se em flor.
Mas sinto, que nesse mar de desconhecimento, a explosão das selfies advém da angustiante sala vazia do autoconhecimento. E ao admirar a própria ignorância, Narcisos se perdem buscando entender o que já foi dito e repetido por muitos: não é possível amar ao outro, quando desconhecemos a humana feiura das entranhas e nos contentamos com a estranheza do espelho que nada nos diz e apenas repete o que vê.